Funk cresceu mais de 3.000% no streaming fora do Brasil desde 2016

O consumo de playlists de funk brasileiro aumentou 3.421% fora do país nos últimos dois anos, mostra um levantamento do Spotify sobre a internacionalização do gênero. O crescimento global – incluindo o Brasil – foi de 4.694% desde 2016.

O aplicativo tem 13 playlists oficiais dedicadas ao ritmo. Uma das principais, a “Mother Funk”, é promovida apenas no exterior.

Os Estados Unidos lideram a lista dos países que mais ouvem funk fora do Brasil. Portugal e Argentina aparecem em seguida. Um mapa de calor elaborado pela plataforma mostra o crescimento do gênero no exterior ao longo do tempo.

Países que mais ouvem funk fora do Brasil

Estados Unidos
Portugal
Argentina
Paraguai
Reino Unido
França
Chile
Espanha
Canadá
10º Itália

A explosão de parcerias entre funkeiros brasileiros e artistas internacionais é um dos fatores que ajudam a explicar a internacionalização, segundo o líder editorial da empresa no Brasil, Bruno Telloli.

A explosão de parcerias entre funkeiros brasileiros e artistas internacionais é um dos fatores que ajudam a explicar a internacionalização, segundo o líder editorial da empresa no Brasil, Bruno Telloli.

Até agora, o funk mais ouvido fora do Brasil em 2018 é “Bum bum tam tam”, de MC Fioti. Em dezembro de 2017, a música ganhou uma versão trilíngue, com participação do colombiano J. Balvin e do rapper americano Future.

Artistas de funk mais populares no streaming fora do Brasil

2016 2017 2018
1º – Dennis DJ 1º – Anitta 1º – Anitta
2º – Anitta 2º – MC Kevinho 2º – MC Fioti
3º – MC João 3º – MC Fioti 3º – MC Kevinho
4º – MC Delano 4º – MC G15 4º – MC Zaac
5º – MC Koringa 5º – Dennis DJ 5º – DJ Yuri Martins
6º – Nego do Borel 6º – Nego do Borel 6º – Dennis DJ
7º – Mc’s Zaac & Jerry Smith 7º – MC Zaac 7º – Nego do Borel
8º – Ludmilla 8º – MC Lan 8º – MC G15
9º – MC Livinho 9º – MC Livinho 9º – MC Jhowzinho e MC Kadinho
10º – MC Bin Laden 10º – MC’s Zaac & Jerry Smith 10º – Jerry Smith

A faixa do gênero mais ouvida globalmente na história da plataforma também é uma colaboração internacional: “Vai malandra”, de Anitta com MC Zaac, Tropkillaz, DJ Yuri Martins e o rapper americano Maejor.

Funks mais ouvidos do mundo na história do Spotify

Anitta – “Vai malandra” (com MC Zaac, Tropkillaz, DJ Yuri Martins e Maejor)
MC Kevinho – “Olha a explosão”
Nego do Borel – “Você partiu meu coração” (com Anitta e Wesley Safadão)
MC Jhowzinho e MC Kadinho – “Agora vai sentar”
MC Zaac – “Vai embrazando”
MC Fioti – “Bum bum tam tam”
Dennis DJ – “Malandramente”
MC G15 – “Deu onda”
MC G15 – “Cara bacana”
10º Mc Léléto – “Automaticamente”

O Spotify tem 170 milhões de usuários ativos em 65 países. A empresa não divulga o número de usuários no Brasil.

Do ‘caô’ ao ‘escamoso’

O levantamento mostra ainda que o consumo de funk também aumentou fora do eixo Rio-São Paulo. O maior crescimento foi registrado no Paraná (135,1%), seguido por Tocantins (131,7%) e Rondônia (123%).

Na versão brasileira, o gênero começou a descer os morros do Rio de Janeiro entre o fim dos anos 1980 e início de 90. O DJ Marlboro, considerado um dos criadores do gênero no Brasil, foi o principal responsável por levar o ritmo dos bailes às discotecas de elite.

Anos mais tarde, o funk melody de Claudinho & Buchecha e dos MCs Marcinho e Leozinho chegou às rádios e à televisão, graças às letras melosas e quase sem apelo sexual.

Hoje, enquanto produtores de São Paulo tentam emplacar sua própria era melody, outras regiões do Brasil passam a ter produção relevante no gênero. “Envolvimento”, de MC Loma, um dos hits do carnaval deste ano, saiu de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

“Amor falso”, do paraibano Aldair Playboy, já é a segunda faixa mais escutada do Brasil no Spotify e ganhou uma versão com Wesley Safadão e MC Kevinho. A música é a mais bem-sucedida representante da união entre o funk e o arrocha do Nordeste, que já chega às paradas do Sudeste.

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